
A Intervenção do Estado na Economia – Resumo Economia A
A Intervenção do Estado na Economia – Resumo de Economia A
A intervenção do Estado na economia é um dos temas fundamentais da disciplina de Economia A. O Estado desempenha um papel essencial na organização da sociedade, na prestação de serviços públicos, na redistribuição do rendimento e na promoção da estabilidade económica.
Neste resumo são apresentados os principais conceitos relacionados com o Estado e a soberania, o Setor Público Administrativo, o Setor Público Empresarial, o Orçamento do Estado, as receitas e despesas públicas, os impostos, o saldo orçamental, a dívida pública e as políticas económicas estruturais e conjunturais.
O Estado e a soberania
O Estado é uma organização política e jurídica que exerce poder sobre uma população num determinado território.
Para existir um Estado são necessários três elementos fundamentais:
- Povo – conjunto de cidadãos;
- Território – espaço geográfico sobre o qual o Estado exerce autoridade;
- Soberania – poder supremo de decidir e estabelecer normas dentro do território.
Sem povo, território e soberania não existe plenamente um Estado.
Setor Público Administrativo – SPA
O Setor Público Administrativo, normalmente designado por SPA, é constituído pelo conjunto de serviços e organismos públicos responsáveis pelo desempenho de funções administrativas e pela prestação de serviços públicos.
São exemplos:
- ministérios;
- escolas públicas;
- hospitais públicos;
- autarquias;
- serviços de segurança social.
O principal objetivo do SPA é a satisfação das necessidades coletivas e a promoção do interesse público, não tendo como finalidade principal a obtenção de lucro.
Setor Público Empresarial – SPE
O Setor Público Empresarial, ou SPE, integra as empresas que são controladas pelo Estado e que produzem bens ou prestam serviços.
Podem atuar em áreas como:
- transportes;
- energia;
- comunicações;
- infraestruturas;
- outros serviços de interesse económico.
A principal diferença entre o SPA e o SPE está na forma como desenvolvem a sua atividade. O SPA presta diretamente serviços administrativos e públicos, enquanto o SPE atua através de empresas públicas.
Planeamento económico e planos
O planeamento corresponde à definição antecipada de:
- objetivos;
- prioridades;
- recursos;
- meios de atuação do Estado.
Podemos distinguir dois tipos principais de planeamento.
Planeamento imperativo
É obrigatório e caracteriza sobretudo as economias centralizadas. O Estado impõe as principais decisões económicas.
Planeamento indicativo
Tem uma função de orientação e é mais comum nas economias de mercado. O Estado procura influenciar as decisões dos agentes económicos através de políticas, incentivos e objetivos gerais.
Nas economias modernas predomina, geralmente, o planeamento indicativo.
O Orçamento do Estado
O Orçamento do Estado é um documento anual no qual são previstas as receitas públicas e as despesas públicas.
As suas principais funções são:
- financiar os serviços públicos;
- orientar a política económica;
- concretizar as prioridades do Governo;
- organizar a utilização dos recursos financeiros públicos.
O saldo orçamental pode ser calculado através da seguinte expressão:
Saldo orçamental = Receitas públicas – Despesas públicas
Receitas públicas
As receitas públicas correspondem aos recursos financeiros obtidos pelo Estado para financiar a sua atividade.
Receitas correntes
Incluem, entre outras:
- impostos;
- taxas;
- contribuições sociais;
- rendimentos da propriedade.
Receitas de capital
Podem incluir:
- venda de património;
- transferências de capital;
- empréstimos;
- recuperação de valores anteriormente concedidos.
As receitas públicas permitem financiar a intervenção do Estado e os serviços prestados à população.
Despesas públicas
As despesas públicas correspondem aos gastos realizados pelo Estado.
Despesas correntes
São despesas relacionadas com o funcionamento normal dos serviços públicos, como:
- salários da função pública;
- saúde;
- educação;
- pensões;
- funcionamento dos serviços.
Despesas de capital
Correspondem sobretudo a investimentos públicos, por exemplo:
- construção e modernização de escolas;
- investimento em hospitais;
- construção de estradas;
- equipamentos;
- infraestruturas.
As despesas públicas podem produzir importantes efeitos económicos e sociais, contribuindo para a melhoria dos serviços públicos, para o crescimento económico e para a redução das desigualdades.
Impostos diretos e indiretos
Os impostos representam uma das principais fontes de receita do Estado.
Impostos diretos
Os impostos diretos incidem diretamente sobre o rendimento ou o património dos contribuintes.
Exemplos:
- IRS;
- IRC;
- IMI.
São geralmente impostos mais personalizados, uma vez que podem ter em consideração características específicas do contribuinte.
Impostos indiretos
Os impostos indiretos incidem sobre a despesa e o consumo.
Exemplos:
- IVA;
- ISP.
Estes impostos são pagos, normalmente, quando se adquirem bens ou serviços.
Saldo orçamental
O saldo orçamental resulta da diferença entre as receitas e as despesas públicas.
Podem verificar-se três situações.
Equilíbrio orçamental
Existe quando:
Receitas públicas = Despesas públicas
Défice orçamental
Existe quando:
Despesas públicas > Receitas públicas
Neste caso, o Estado gasta mais do que recebe.
Excedente orçamental
Existe quando:
Receitas públicas > Despesas públicas
Neste caso, as receitas são superiores às despesas.
Dívida pública
A dívida pública corresponde ao conjunto das obrigações financeiras do Estado resultantes do recurso ao crédito.
Quando o Estado apresenta défices sucessivos, pode ser necessário contrair empréstimos, aumentando a dívida pública.
Podemos distinguir:
- dívida pública fundada – dívida de médio e longo prazo;
- dívida pública flutuante – dívida de curto prazo.
A existência de défices orçamentais repetidos tende, por isso, a contribuir para o aumento da dívida pública.
Políticas estruturais e políticas conjunturais
A intervenção do Estado na economia pode concretizar-se através de diferentes políticas económicas.
Políticas estruturais
As políticas estruturais atuam sobretudo no longo prazo e procuram alterar as estruturas económicas e sociais.
Exemplos:
- educação;
- formação profissional;
- inovação;
- infraestruturas;
- modernização económica.
O objetivo é melhorar a capacidade produtiva e promover o desenvolvimento económico de forma duradoura.
Políticas conjunturais
As políticas conjunturais atuam principalmente no curto prazo e procuram responder a desequilíbrios económicos ou às diferentes fases dos ciclos económicos.
Podem ser utilizadas para:
- estimular a procura;
- apoiar a economia em períodos de crise;
- combater a inflação;
- reduzir o desemprego;
- promover a estabilidade económica.
Assim, uma ideia importante a memorizar é:
Políticas estruturais = longo prazo
Políticas conjunturais = curto prazo
A importância da intervenção do Estado na economia
A intervenção do Estado é fundamental para garantir o funcionamento da economia e responder a necessidades que o mercado, por si só, pode não conseguir satisfazer adequadamente.
Entre as principais funções do Estado encontram-se:
- prestação de serviços públicos;
- redistribuição do rendimento;
- redução das desigualdades;
- promoção do crescimento económico;
- estabilização da economia;
- investimento em infraestruturas;
- apoio à educação e à saúde;
- regulação da atividade económica.
O planeamento económico e o Orçamento do Estado são instrumentos essenciais para organizar esta intervenção.
Resumo dos conceitos essenciais
Para estudar este capítulo de Economia A, é importante memorizar as seguintes ideias:
Estado = povo + território + soberania
O SPA presta serviços públicos e administrativos, enquanto o SPE integra empresas controladas pelo Estado.
As receitas públicas financiam a atividade do Estado e as despesas públicas permitem assegurar serviços e realizar investimentos.
O saldo orçamental resulta da diferença entre receitas e despesas e pode traduzir-se em equilíbrio, défice ou excedente.
Os impostos diretos incidem sobre o rendimento ou património, enquanto os impostos indiretos incidem sobre o consumo.
A acumulação de défices pode contribuir para o aumento da dívida pública.
Por fim, as políticas estruturais atuam no longo prazo e as políticas conjunturais procuram responder a problemas económicos de curto prazo.
